A doação de sangue em condomínios ganhou destaque em março de 2020, no início da pandemia de covid-19, quando o Hemorio, no Rio de Janeiro, levou equipes de coleta para dentro de grandes condomínios. A campanha foi temporária, mas a ideia continua inspiradora. Abaixo, reproduzimos a notícia da época, publicada pela Agência Brasil, e mostramos como o condomínio pode incentivar a doação hoje.
Na época, o Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio) lançou campanha para receber doações de sangue em condomínios localizados no município do Rio. O diretor do Hemorio, Luiz Amorim, disse que o lançamento será nesta terça-feira (31) e a primeira coleta amanhã (1º), em um condomínio da Barra da Tijuca, na zona oeste da capital.
Os últimos detalhes da operação estão sendo finalizados com a Secretaria estadual de Saúde. O nome do condomínio onde começa a campanha não foi informado. O Hemorio vai enviar ao local uma equipe de 10 a 12 profissionais para fazer a coleta. O grupo passará o dia no local.
Os síndicos ou responsáveis pela administração do condomínio que estiverem interessados na presença da equipe podem procurar o instituto para se inscrever. Só podem participar os condomínios com mais de 500 adultos aptos à doação. A campanha vai durar enquanto permanecerem as medidas de isolamento social. “Eles nos contactam. Neste momento, não tem como visitar cada um [para ver antes as condições], mas eles podem mandar fotos, a gente avalia se é possível e aí vamos encaixar na agenda. Geralmente, vai ser no salão de festa dos condomínios”, adiantou.
A operação vai ocorrer na capital porque não há condição de o Hemorio fazer o deslocamento de equipes para atender em outros locais do estado. “A gente não tem capacidade logística de ir, até porque as viagens estão com recomendação de que não sejam feitas, por isso será somente no Rio de Janeiro, onde há condomínios muito grandes. Só na Barra da Tijuca, no Recreio e na região do Autódromo são 570 condomínios. São muitos, e as pessoas estão em casa. A nossa ideia, então, é ir lá, as pessoas podem só descer no elevador e doar com hora marcada. Não precisa nem sair do prédio”, disse.
Índice
Queda
A expectativa do diretor é de que a operação aumente em até 10% o total de doações e, com isso, reduza o impacto da queda que ocorreu nas duas últimas semanas. Luiz Amorim informou que, na semana passada, houve redução de 35% nas doações e, na anterior, de 20%, com uma queda no número de doadores. A média diária era perto de 260 e agora está abaixo de 180. Para o diretor, três fatores influenciam essa redução.
“O primeiro é que as pessoas não estão saindo de casa, seguindo a recomendação. É claro que para a doação há uma exceção, porém a recomendação geral é de isolamento social. A segunda é que as pessoas que saem para doar sangue têm a dificuldade de transporte. Na maioria das capitais, os transportes intermunicipais não estão funcionando e, claro, algumas pessoas também têm medo da doação de sangue. Mas é preciso dizer que não há risco nenhum de se contaminar com coronavírus doando sangue”, lembrou.
Amorim acrescentou que o Hemorio montou um esquema especial de atendimento. As cadeiras para a doação foram mais distribuídas, com espaço maior entre elas. Na entrada da sala há um profissional de enfermagem verificando a temperatura do possível doador. Caso ele tenha algum dos sintomas de covid-19, é orientado a procurar atendimento médico, e a doação não é aceita.
“Temos uma enfermeira que fica na entrada do salão de doadores com termômetro sem contato. Se tiver com febre é recomendado que ele volte dali mesmo e procure um médico. Qualquer sintoma gripal também a pessoa nem entra. As cadeiras estão afastadas mais do que o habitual. Na sala de espera, as cadeiras estão afastadas e só entram pequenos grupos. Nossa equipe está usando máscaras. Estamos oferecendo o máximo de segurança”, disse.
O diretor orientou que os doadores façam o agendamento pelo número 08002820708, com ligações gratuitas ao Hemorio, para marcar data e a hora em que serão atendidos. “Isso diminui muito o período de permanência fora de casa”, afirmou.
Fonte: Agência Brasil (março de 2020).
Como incentivar a doação de sangue em condomínios hoje
Os estoques dos hemocentros costumam cair em feriados prolongados, férias e no inverno. O condomínio pode ajudar de forma simples:
- Divulgue campanhas: use o canal oficial de comunicação para compartilhar os pedidos do hemocentro da sua cidade.
- Organize grupos: combine idas coletivas ao hemocentro com moradores interessados, com agendamento prévio.
- Consulte o hemocentro: alguns realizam coletas externas em locais com estrutura adequada e grande número de doadores.
- Informe os requisitos: em geral, pode doar quem tem entre 16 e 69 anos (menores de 18 com autorização dos responsáveis), pesa pelo menos 50 kg e está em boas condições de saúde. Homens podem doar a cada 60 dias, até quatro vezes por ano, e mulheres a cada 90 dias, até três vezes por ano.
Antes de doar, confira as orientações atualizadas do hemocentro da sua região. Um aplicativo para condomínio ajuda a organizar e divulgar esse tipo de ação solidária com facilidade.
Perguntas frequentes sobre doação de sangue em condomínios
Como organizar uma ação de doação de sangue em condomínios?
Procure o hemocentro da sua cidade para saber se ele realiza coletas externas ou campanhas com agendamento coletivo. Depois, divulgue a ação pelo aplicativo do condomínio, organize grupos por horário e, se possível, ofereça transporte até o posto de coleta.
Quem pode doar?
Em geral, pessoas entre 16 e 69 anos, com pelo menos 50 kg e em boas condições de saúde. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis, e há regras específicas para a primeira doação após os 60 anos. Os critérios completos devem ser conferidos no hemocentro ou no site do Ministério da Saúde.
Iniciativas de doação de sangue em condomínios aproximam os vizinhos e ajudam a manter os estoques dos hemocentros, que costumam cair em feriados prolongados e nas férias.





